Cadastrado há mais de cinco anos no banco de doadores voluntários de medula óssea, o 2° sargento Flávio Ávila pode finalmente se tornar o anjo da guarda de uma criança que aguardava na fila de transplantes.
Selecionado através de uma ação realizada na sede do 29° Batalhão de Polícia Militar, onde é lotado, o policial viajou de Itaperuna até São Paulo no início desta semana para concretizar o ato de solidariedade.
Após passar por rigorosos exames clínicos, o PM foi encaminhado ao centro cirúrgico. A doação é feita sob anestesia, e tem duração de aproximadamente duas horas. São realizadas múltiplas punções, com agulhas, nos ossos posteriores da bacia e é aspirada a medula. Retira-se um volume de medula do doador de, no máximo, 15%. Esta retirada não causa qualquer comprometimento à saúde.
“Apesar de haver recebido várias parabenizações por este ato que vai salvar uma vida, sem falsa modéstia, eu tenho a sensação de que não fiz mais do que a minha obrigação. Isso não faz com que eu não sinta uma enorme satisfação e alegria por ter passado por essa experiência única. Não me lembro de algo mais nobre ou grandioso que eu tenha feito até hoje na minha vida. Informei a todos que sou policial militar do Estado do Rio de Janeiro, pertencente ao 29 BPM, ou seja missão dada é missão cumprida”, destacou o sargento Ávila.
Certo da importância da iniciativa, o comandante do batalhão, Tenente Coronel Sylvio Guerra, deu todo apoio e auxílio para que a doação acontecesse com sucesso.
“Os policiais devem ser lembrados como seres humanos que também tem sentimentos, e por isso, pensam no próximo. Somos diferentes e fortes quando a profissão nos exige, e infelizmente somente as notícias que denigrem a imagem do Policial Militar são publicadas em larga escala”, disse o tenente-coronel.
Segundo informações do próprio PM, o hospital possui uma norma onde os doadores não podem conhecer a pessoa que recebeu a doação, neste caso, uma criança de aproximadamente 12 anos de idade.
Para ser um doador de medula óssea, o candidato deverá procurar o hemocentro mais próximo de sua casa, onde será agendada uma entrevista para esclarecer dúvidas a respeito das doações e, em seguida, será feita a coleta de uma amostra de sangue (de 5 a 10ml) para a tipagem de HLA (características genéticas importantes para a seleção de um doador).
Os dados do doador são inseridos no cadastro do REDOME e, sempre que surgir um novo paciente, a compatibilidade será verificada. Uma vez confirmada, o doador será consultado para decidir quanto à doação.

