Proteger, servir e também formar tem sido as palavras de ordem do 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM), que tem empreendido diversas iniciativas para estreitar o relacionamento entre a representação da instituição em Campos e a sociedade. Além dos canais de denúncia que têm posto população e PM em um só lado, um projeto que existe há 12 anos vem dando oportunidade a adolescentes de aprender canto e música em um convívio diferente.
Desde julho, a Oficina de Música do 8º BPM, iniciativa que chegou a ficar inativa por três, retomou as atividades e recebe 210 meninos e meninas com idade entre 12 e 17 anos, de bairros e comunidades diversas do município.
A maioria chegou através do projeto “Acorde para a Vida” no qual policiais militares ministram palestras sobre drogas, paz e cidadania. A carência da população por projetos e ações sociais fez formar-se uma fila de mais de 100 candidatos que deverão esperar até que alguém desista ou fique inabilitado de continuar no grupo. Para entrar e seguir participando das aulas é preciso estar com boas notas e ter frequência escolar.
Mas, como na maioria das atividades sem fins lucrativos, existem obstáculos que vem sendo superados com muita dedicação e empenho dos 15 policiais envolvidos. As crianças utilizam os 64 instrumentos usados pela Banda do 8º BPM, pouco para a quantidade de alunos. Além disso, acessórios como paletas e sapatilhas para clarinetes e saxofones, acordoamento para violão, guitarra e contrabaixo dentre outros, tem necessidade de substituição periódica e vem sendo feita pelos próprios policiais.
Há ainda o obstáculo da quantidade de instrumentos, aquém ao número de adolescentes. Segundo o responsável pelo projeto, subtenente Tomé, as duas horas em dois dias de aulas por semana e ainda com revezamento de alunos por instrumentos compromete, por exemplo, o fortalecimento da musculatura em torno da boca, no caso dos alunos de instrumentos de sopro.
Ainda assim, para o subtenente, a beleza está em unir jovens de diferentes classes sociais, bairros, comunidades e realidades em um só grupo, dentro de um convívio que o remete à própria história.
“Eu vinha aqui quando eu tinha 10 anos e vendia salgado para completar a renda familiar. Os policiais não podiam descer então eu subia para trazer o lanche e ficava aqui, ouvindo eles tocarem”, disse saudoso contando ainda que foi o convívio que despertou nele a vontade de ser policial militar e musicista. Logo que abriu concurso interno da PM para músicos, ele que já passou pela Lira de Apolo, arriscou e passou.
Com vocação para o que faz, Tomé conhece a história de cada aluno e se preocupa com o desenvolvimento de cada um, não só como musicistas, mas como cidadãos. Para elevar a auto estima e deixar os adolescentes mais seguros, uma parceria com uma rede de supermercados locais vem promovendo apresentações da banda e coral em diversas pontos do município.
Já para estimular e engajar os alunos em uma ação social, onde eles são os agentes modificadores, todo o grupo foi dividido em pequenos grupos de 10 e incentivado a arrecadar brinquedos que serão doados em comunidade ainda a definir. Para dar uma animação extra ao trabalho, a equipe que arrecadou mais brinquedos ganhou ingressos para uma tarde no cinema.
Os brinquedos farão cerca de 120 crianças da Escola Municipal Herve Linhares Machado, no bairro Quatro Bocas, em São Francisco de Itabapoana, mais felizes. E quem fará a entrega será o próprio Papai Noel.
O trabalho dos alunos na arrecadação de brinquedos, no qual muitos policiais militares também fizeram suas doações, já foi encerrado, mas permanece aberto à todos até amanhã (15/12). Quem quiser fazer uma criança feliz neste Natal ou contribuir doando instrumentos ou material para a manutenção, pode ir ao 8º BPM e deixar sua contribuição.
Fotografia: Vagner Basílio
Fonte Ururau


