O Secretário Estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, o Comandante Geral da PMRJ, Edson Duarte e o Coronel William René Alonso, Comandante do Comando de Operações Especiais – COE, participaram nesta quarta-feira, 30/03, de um seminário para debater a prevenção do comportamento suicida entre policiais militares. No seminário foram apresentados os resultados da pesquisa realizada pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção (GEPeSP), que envolve cientistas sociais da UERJ e policiais psicólogas da PMERJ.
No encontro, a pesquisadora Dayse Miranda, coordenadora do GEPeSP, analisou os resultados de entrevistas realizadas com mais de 200 policiais que tentaram ou planejaram suicídios. Também participou do debate os Coronéis Ibis Pereira e Alberto Pinheiro Neto, ex-Comandante Geral da PM, além dos pesquisadores Ignácio Cano (LAV-UERJ) e Silvia Ramos (CESeC-UCAM).
No Brasil, nas últimas três décadas, 205.990 pessoas morreram por suicídio, de acordo com o Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM/MS). A evolução do número de mortes por suicídio aumentou 153% entre 1980 e 2011, segundo o Mapa da Violência 2013.
Apesar da dificuldade de obter dados sobre casos de suicídios entre policiais, os levantamentos já feitos mostram que o problema é maior na categoria. Uma pesquisa de 1998 do CESeC constatou que a taxa de suicídio da polícia militar fluminense em 1995 foi 7,6 vezes superior à da população geral, ainda que 100% das mortes tenham acontecido durante a folga do policial. No seu estudo, Dayse Miranda e os integrantes do GEPeSC calculam que policiais correm risco seis vezes maior de tentar o suicídio do que o restante da população.
Para realizar a pesquisa sobre um tema considerado tabu, os integrantes do grupo valeram-se de palestras de sensibilização em 18 unidades operacionais e administrativas da PMERJ, resultando em 224 questionários de voluntários policiais. Os resultados sugerem que as ideações suicidas e tentativas de suicídio “declaradas” estão relacionadas a fatores sociodemográficos, institucionais, organizacionais, relacionais e individuais. Entre eles, filiação religiosa, rotina de agressões verbais e físicas, insatisfação profissional, vínculos familiares e sociais enfraquecidos e indicadores de depressão.
Todos os policiais vitimizados por suicídio identificados pela pesquisa recorreram às suas armas de fogo como meio, um dado que destaca a necessidade de políticas de prevenção do suicídio na PMERJ.
O evento contou também com lançamento do livro “Por que policiais se matam?”, que reúne dados de pesquisa e estratégias de prevenção esquematizadas pelo GEPeSP, editado com apoio do CESeC/UCAM e CNPQ.
“Esperamos que o seminário e o lançamento do livro, além de dar visibilidade ao tema, mobilizem o Comando Geral e a Secretaria de Estado de Segurança Pública a se comprometer com a mudança dessa realidade que tem vitimado silenciosamente nossos policiais”, diz Dayse Miranda.
