dante 1O subtenente da Polícia Militar, Denílson Marques, lançou recentemente seu quarto livro intitulado “Sonetos da Maturidade”. Antes de ser militar, Denílson já demonstrava uma paixão pela poesia. O subtenente está comemorando 35 anos de pura poesia com mais uma obra dedicada a esta arte.

Poeta, ele adquiriu um olhar mais humanista, traçou um perfil do policial que existe por trás da farda, procurando realizar seus sonhos e projetos. Mas o que pode parecer estranho aos olhos de muitas pessoas, nunca foi problema dentro da PM e isso surpreendeu até mesmo o policial poeta. “Eu achava que tinha preconceito aqui dentro, mas o preconceito era meu. Eu acreditava que não ia ser respeitado e tive uma grata surpresa: nunca imaginei que seria reconhecido como poeta dentro de uma Corporação militar”, afirma. Ele conta que quando chegava à Guarda do Quartel-General era cumprimentado com um “Bom dia, poeta”. Não tem preço isso”, relembra.

Formado em Filosofia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, o autor publicou seu primeiro livro “Canções dos Jogos do Amor” em 1998 e participou de coletâneas de Poesias e Contos.  Recebeu Menção Honrosa no livro de Poesias, contos e crônicas dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, nos anos de 2000 e 2010.

Atualmente na reserva, o poeta e artista plástico dedica-se a escrever e a pintar, transpondo a poesia para suas telas. Além disso, em breve, o policial militar lançará dois novos livros que estão em fase de produção.

A pintura chegou à sua vida por causa da curiosidade. Bastou o primeiro passo para não parar mais. “Há oitos anos eu fiz um curso de pintura acadêmica, mas lá era a parte mais prática. Decidi migrar para a teoria, comprei livros de artes e defini um estilo”, disse explicando de onde surgiu o interesse. Para ele, as duas se complementam, o que está no papel pode vir para as telas e o contrário também acontece. Sua última exposição, chamada “Universos transversais” aconteceu na Biblioteca da UNIGRANRIO, em São João de Meriti.

Conciliando profissões distintas, o policial confessa que sempre teve sede por conhecimento. Seu sonho era cursar Letras, mas acabou passando no vestibular para Filosofia. “Eu queria Letras, mas não passei. Caí de paraquedas em Filosofia. Quase desisti… Tinha Hegel, Kanti para complicar. Mas mesmo assim continuei e eu era tão apaixonado por Literatura que fiz minhas disciplinas optativas no departamento de Letras”, contou relembrando os tempos de universitário.

Após graduar-se como filósofo pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), decidiu encarar um novo desafio: cursar Teologia. O aprendizado adquirido em cada graduação foi conflitante durante um tempo, mas depois foi útil para a arte que produz hoje.

“Em A Celebração da Amada eu me inspirei no livro bíblico Cantares de Salomão e também na minha esposa. Eu a exalto no livro, mas é uma representação de todas as mulheres. Já nos quadros da exposição Universos Transversais eu trabalho a ideia dos quatro elementos, utilizando a metafísica, isso vem dos pré-socráticos”, comenta a respeito de suas obras.

Além das inspirações que surgiram ao longo da vida, o Subtenente Marques também tem a PMERJ como motivação. “A Polícia me inspira para mostrar à sociedade que por trás da farda existem pessoas de valor, não é somente aquilo que a mídia expõe. Temos artistas, pessoas  ligadas à arte, à literatura, temos pessoas de todas as áreas aqui dentro”, ressalta.