Criada formalmente em março deste ano, a Controladoria da Polícia Militar ainda está em fase de maturação, mas já começa a gerar resultados positivos. Recentes atos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) comprovam esta constatação: a aprovação com louvor de duas complexas licitações – uma para compra de gêneros alimentícios, em outubro, e outra para reforma e manutenção de viaturas, em novembro. Juntas, essas duas licitações envolvem um volume de recursos superior a R$ 150 milhões aplicados em atividades-chave da Corporação.

A ideia da criação da Controladoria  surgiu em 2014, após o escândalo de desvio de verba do FUSPOM – Fundo de Saúde da Polícia Militar. Começou a ser pensada como projeto no início do ano seguinte, mobilizou um grupo de policiais militares interessados no tema até ser instituída oficialmente no dia 17 de março.

– Posso garantir que, se tivéssemos há três anos uma estrutura de controle, mesmo embrionária como hoje, um fato como aquele do FUSPOM não teria acontecido – afirma o Coronel Márcio Pereira Basílio, Subchefe do Estado-Maior Geral Administrativo da Corporação, que, junto com outros oficiais especializados, está à frente do processo de construção da Controladoria  desde o início.

O Coronel Basílio sustenta sua tese baseado no fato de que a estrutura de controladoria demanda um grande número de pessoas em diferentes instâncias, monitorando e analisando o desempenho de qualquer processo administrativo. Ele costuma dizer que a Controladoria, depois de consolidada, não será um órgão da Corporação, mas sim um sistema, que avaliará o desempenho de atividades vitais tanto nas áreas financeira, de logística e de pessoal quanto nas áreas operacionais.

O trabalho específico de estruturação do novo órgão está a cargo do Coronel Marcelo Pereira Rocha, já nomeado Controlador da Polícia Militar. Ele lidera uma equipe de abnegados oficiais e praças que assumiram a missão de revolucionar a estrutura administrativa da Corporação.
Para isso, já participaram de mais de 30 cursos de capacitação na área de finanças e, desde março, integram uma verdadeira maratona de benchmarking, visitando e conhecendo in loco a experiência de outras instituições nessa área. É o caso da Marinha, que criou sua controladoria interna há mais de 30 anos, e da Polícia Militar de Santa Catarina, a Corporação pioneira nesta área em nosso país.

 

 

A equipe tem visitado rotineiramente órgãos ligados às áreas de auditoria e controle. E tem estudado a fundo a legislação federal e estadual, para que a Controladoria esteja integralmente afinada com o arcabouço legal, desde as normas gerais estabelecidas a partir da Constituição de 1988 às mais recentes leis complementares que norteiam órgãos como Tribunal de Contas do Estado, Secretaria de Estado de Fazenda e instituições afins.
Além do foco e da motivação de criar algo novo e relevante na história da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, um dos segredos do sucesso desse grupo é a manutenção da equipe, que há dois anos trabalha praticamente sem alteração. E, como diz o velho ditado, time que está ganhando não se mexe.