Coronel Rogério Figueredo de Lacerda (*)
A reportagem do jornal Extra, publicada na edição desta terça-feira (22/09) sob o título “Roubos sobem até 100% no Rio com a redução do isolamento social da pandemia”, revela números absolutos verdadeiros, mas induz o leitor a interpretações equivocadas.
A incidência de roubos de rua, indicador estratégico que acompanha a soma de roubos a transeunte, roubos de celular e roubos em coletivo, está relacionada a múltiplos fatores, entre os quais dois vetores de forte relevância: a aglomeração humana e a presença do policiamento preventivo e ostensivo.
Em maio último, elencado na reportagem como o mês de menor índice de roubos deste ano, ocorreu a conjunção desses dois vetores impactantes. Foi o período que registrou o maior nível de isolamento social, mas não houve alteração no planejamento do policiamento das ruas.
A pandemia não modificou a rotina da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Pelo contrário, a Corporação ampliou a presença de policiais militares em todos os municípios fluminenses. Além de prover a segurança pública, nossos policiais receberam a missão adicional de controlar as barreiras nos principais modais de transportes de massa e de percorrer áreas de lazer para conscientizar os cidadãos sobre a importância de seguir as recomendações das autoridades sanitárias.
O protocolo técnico de acompanhamento e interpretação dos índices criminais, sejam de crimes contra a vida ou de crimes contra o patrimônio, deve seguir o critério da sazonalidade (comparando sempre períodos iguais) e observar o desenho da curva num espaço temporal.
Quando seguimos essa orientação técnica, constatamos os avanços expressivos e indiscutíveis na área de segurança pública do estado. Os roubos de rua, por exemplo, registraram queda de 42,4% entre janeiro e agosto deste ano em comparação com igual período do ano passado. Se compararmos os número de agosto deste ano com o mesmo mês de 2019, a queda foi de 45.3%. Reduções semelhantes são observadas também na incidência de roubo de veículos e roubo de carga.
Em relação aos crimes contra a vida, a tendência também é de queda contínua. Agosto deste ano registrou o menor número de homicídios para o mês desde 1991, início da série histórica.
Se observarmos o quadro estatístico do Instituto de Segurança Pública (ISP), mostrando graficamente a incidência criminal no estado nos últimos anos, vamos constatar o quanto progredimos na nossa luta diária para reduzir a incidência criminal. A curva descendente de 2020 acompanhou a tendência de queda registrada a partir de 2019 e está posicionada em outro patamar em relação aos anos anteriores.
Coronel Rogério Figueredo de Lacerda (*) é Secretário de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro.
