2627557O centro veterinário do Batalhão de Ação com Cães (BAC) cuida da saúde de 70 animais que atuam na unidade. A rotina também inclui a realização de procedimentos de alta complexidade como inseminações artificiais, que geram filhotes preparados para o trabalho na Polícia Militar. À frente do setor, o capitão Luis Roberto Veríssimo de Souza, que há 18 anos atua na unidade, detalha o dia a dia do serviço.

D.O Notícias – Como funciona o serviço?

Luis Roberto Veríssimo de Souza – Nossa missão é avaliar a parte sanitária dos cães, como vacinações, vermifugações, trato de pele, calendário com protocolos, entre outros procedimentos, e fazer todo o atendimento ambulatorial, que inclui a avaliação de sintomas como vômitos e diarreia, diagnóstico de velhice, tratamento de tumores. Também contamos com um centro cirúrgico que atende às intercorrências mais graves. Acredito que sejamos a única unidade militar do país que tem esse setor.

D.O Notícias – Quais são os procedimentos diários realizados nos animais?

Luis Roberto – Antes de ir para a rua, o policial tem que, obrigatoriamente, passar com o cão pelo centro veterinário. Fazemos uma avaliação no animal para ver se está tudo bem. Quando ele volta da operação, é realizado o mesmo procedimento. Nossos cães atuam em favelas e em zonas rurais e, normalmente, essas regiões são insalubres, com presença de ratos, carrapatos, mas nosso calendário profilático cobre isso. Também fazemos avaliações cardiovasculares, além de exames como hemograma e Monitor Holter para comprovar que, apesar de farejarem drogas, eles são apenas identificadores dessas substâncias e não viciados. Nunca identificamos nenhuma alteração nesses animais por conta dessa natureza do trabalho.

D.O Notícias – Como tem sido o retorno de procedimentos como as inseminações artificiais?

Luis Roberto – Para atuar no BAC, o cão tem que ter boa saúde. Ele trabalha em áreas montanhosas, de favela, com muito calor e são muitas operações que, às vezes, têm longa duração. Atuamos com os animais também em ações no interior do estado e em grandes tragédias, como foram as enchentes da Região Serrana e o deslizamento do Morro do Bumba, em Niterói. Por isso, é ótimo que a gente consiga produzir aqui o cão adequado para servir a esse tipo de trabalho.

D.O Notícias – Quais são os casos mais comuns que ocorrem com os cães em operações?

Luis Roberto – Hemorragias e falta de ventilação. Não queremos que os incidentes com armas de fogo ocorram, mas estamos preparados para isso. Felizmente, nunca um animal nosso foi atingido por armas de fogo. Somos os responsáveis por avaliar o momento certo para a aposentaria, seja por idade, o que ocorre por volta dos 10 anos, ou por questão de saúde.

D.O Notícias – Quantas pessoas fazem parte da equipe?

Luis Roberto – Somos cinco veterinários, sendo dois cirurgiões e dois anestesistas. Além disso, temos quatro auxiliares de veterinária e quatro socorristas. As operações contam com um socorrista, que acompanha o cão e é responsável pelo primeiro atendimento, caso haja problemas.

D.O Notícias – Os profissionais que atuam na unidade precisam ter alguma formação especial?

Luis Roberto – A nossa vantagem é que todos os cães são de grande porte, moram no mesmo lugar, comem a mesma comida e recebem o mesmo manejo. Com isso, temos uma linha de trabalho única. Além disso, buscamos a educação continuada, participando de congressos e eventos da área.

Fonte: Diário Oficial

http://www.ioerj.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=5886