Desde 2013, o intervalo médio entre o fim da ligação e a saída do veículo caiu de 15 para quatro minutos
No CICC, o serviço 190 concentra também o 192 (Atendimento Móvel de Urgência — Samu) e 193 (Bombeiros). O modelo de trabalho conjunto será estendido o modelo para os 92 municípios fluminenses.
“Isso se dará a médio e longo prazo”, afirma o subsecretário de Comando e Controle, Rodrigo Alves. Alguns batalhões da PM, quartéis de bombeiros e serviços de saúde do interior, como os de Campos dos Goytacazes, no norte do estado, em breve já estarão incorporados ao CICC. Só no Rio, o sistema tem 4 mil câmeras de segurança e defesa civil.

“O serviço integrado alcançou padrão de excelência internacional. Em 2013, o tempo médio entre o recebimento de uma ligação e o despacho de uma viatura era de 15 minutos. Hoje, não passa de quatro minutos”, afirma Rodrigo.
A Central 190 dispõe de 240 atendentes bilíngues (inglês e espanhol). Já os 30 atendentes dos bombeiros, recebem pelo menos 2,3 mil ligações diárias. “Desse total, 550 geram saídas de viaturas”, ressalta o coronel bombeiro Ricardo Vale.
Os 35 operadores de chamadas do Samu, subordinados ao Corpo de Bombeiros, por sua vez, atendem a mais de 2,6 mil ligações a cada 24 horas, das quais 508 resultam em acionamentos de 50 ambulâncias. “Quinze médicos regulam os atendimentos”, detalha o tenente-coronel Jair Breta, subdiretor do Centro de Operações Samu.

Desde 2013, também no CICC, os bombeiros têm 30 atendentes que recebem 2,3 mil ligações por dia
O subchefe do Centro de Comunicação da Polícia Militar, major Thiago Pinho, garante que o sistema integrado vem melhorando a prestação de serviços. Ele revela que pesquisa interna aponta o recebimento de 150 ligações mensais com elogios e agradecimentos.
“Nossa meta é continuar perseguindo melhorias. A forma integrada de socorro é mais dinâmica e nos coloca cada vez mais como verdadeiros guardiães da sociedade”, comenta Pinho. No início do ano, o CICC passou a sediar ainda o Grupo Integrado de Operações de Segurança Pública (GIOSP), com representantes da inteligência das forças de segurança,
O maior número de ligações recebidas pelo CICC é relativa a perturbação do sossego, especialmente som alto em bares, restaurantes e casas de vizinhos. A Zona Oeste é a região mais acionada para esse tipo de situação. A agressão a mulheres aparece em segundo lugar.

Um videowall, com 198 monitores, exibe mapas e imagens do Rio
Alexandre Brum / Agência O Dia
Também estão integrados ao sistema, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Guarda Municipal, Defesa Civil Estadual, Centro de Operações Rio e Agência Reguladora de Transportes.
Trotes chegam a 32% do total de telefonemas recebidos
O trote ainda é uma das principais dores de cabeça dos atendentes do CICC. Mesmo hoje tendo todo atendimento gravado e números de quem liga identificados por bina, 32% dos telefonemas recebidos são referentes à falsas comunicações. Isso equivale a 7,2 mil ligações por dia.
“Boa parte da população ainda não entende que trote não é uma simples brincadeirinha. O trote, além de gerar efeitos psicológicos e causar estresses desnecessários às equipes de socorro, traz transtornos com deslocamento desnecessários de viaturas e profissionais, impedindo socorro realmente a quem necessita e reduzindo a eficiência das operações”, adverte Rodrigo Alves.
Segundo um estudo do Senado Federal, prejuízos com trotes chegam a R$ 1 bilhão todos os anos no país, somente com acionamentos em vão de viaturas para incêndios não existentes e crimes inventados. As perdas de recursos são com horas de trabalho perdidas das equipes de resgate e socorro e outros efeitos colaterais.
Falso chamado de socorro é crime de contravenção (artigo 340 do Código Penal), podendo resultar em até seis meses de detenção. Em outubro, o governo do estado sancionou a Lei 7.478, com multa de até R$ 2 mil para quem passa trote. Em caso de reincidência, o telefone do infrator é cortado. Ainda não há balanço da aplicação da nova lei.
Aplicativo amplia o atendimento
Lançado no segundo semestre de 2016, o aplicativo Emergência RJ, uma das alternativas para se acionar os serviços do CICC, é visto como sucesso pelo governo. O projeto já superou a casa dos 10 mil downloads, ampliando o atendimento ao serviço 190.
A Central de Regulação de Leitos também passou para o controle do CICC, direcionando equipes para onde houver disponibilidade de leitos. A tecnologia também está dentro do CICC.
No segundo andar, há o videowall — telão de 17 metros de comprimento por cinco de altura, com 98 monitores LED — que exibe mapas e as principais imagens da cidade, sendo um dos maiores da América Latina, com uso contínuo de mais de 35 mil horas.
O CICC conta ainda com o chamado Gabinete de Gestão de Crise, onde as autoridades se reúnem em situações de emergência.
Matéria: http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2017-06-27/central-190-reduz-tempo-de-resposta.html
FRANCISCO EDSON ALVES
