Sobre os últimos confrontos entre facções rivais de criminosos na comunidade da Rocinha, na Zona Sul, o Comando-Geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro vem a público esclarecer algumas informações.

A Coordenadoria de Inteligência da PMERJ tinha informações sobre a possibilidade de confrontos armados na Rocinha, assim como monitora inquietações entre grupos rivais em outras comunidades do estado. Contudo, dificilmente os dados coletados revelam com precisão datas e horários de possíveis invasões. Seria tecnicamente inviável montar uma estratégia de policiamento preventivo, com o emprego de centenas de homens, para evitar invasões numa região metropolitana que contabiliza mais de mil comunidades conflagradas.

No domingo de manhã, a PMERJ reforçou o contingente de policiais na Rocinha para intervir na guerra que se iniciava entre criminosos e estabilizar o terreno, seguindo protocolo técnico de atuação que nos orienta a priorizar a preservação de vidas. A partir da madrugada desta segunda-feira, a Corporação empreendeu operações planejadas com a participação de policiais de unidades especializadas e com apoio de agentes da Polícia Civil para identificação e prisão de criminosos, assim como apreensão e acautelamento de armas e munições. Vale ressaltar que essas operações se estenderam ainda a outras comunidades, de onde partiram comboios de criminosos armados para retomar pontos de venda de drogas na Rocinha. O reforço de policiamento na Rocinha será mantido por tempo indeterminado.

A respeito dos vídeos mostrando a fuga e circulação de criminosos, a Polícia Militar esclarece que as imagens estão sendo analisadas pelo setor de inteligência da Corporação. Essas imagens ratificam a tese defendida pelo Comando da PMERJ de que a sociedade brasileira precisa rever sua estratégia de repressão ao tráfico internacional de armas, como também discutir profundamente uma mudança no código de processo penal.

É inadmissível interpretarmos com naturalidade a cena de criminosos portando fuzis com alto poder de destruição. Em qualquer país civilizado, esses criminosos seriam enquadrados como terroristas.