Como era de se esperar, a tragédia ocorrida no dia 13 de março na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, tem estimulado, em todo o país, jovens com graves problemas psiquiátricos, familiares ou comportamentais a praticar atos semelhantes. No episódio de Suzano, dois atiradores – um deles adolescente – mataram oito pessoas, feriram 11 e se suicidaram em seguida.
Para criar uma rede defesa e evitar tragédias semelhantes, o Comandante do 2º Comando de Policiamento de Área (CPA), Coronel Wilman Rene Gonçalves Alonso, deu início a um trabalho preventivo em sua área de atuação (parte da Zona Norte e Zona Oeste da capital) e que agora começa a se disseminar por toda a cidade e todo o território estadual.
Ex-Comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e com expertise em negociação de resgate de reféns, o Coronel Rene montou uma equipe de trabalho especializada encarregada de instruir, inicialmente, policiais militares lotados no PAMESP Escolar (Patrulhamento Motorizado Especial). Os policiais passaram alertar profissionais de ensino, alunos e responsáveis para mais este desafio no rol de medidas de segurança que devem adotadas nos estabelecimentos de ensino.
A iniciativa tem surtido efeito. Praticamente todos os dias, há apreensão de armas em poder de adolescentes matriculados em escolas, quase todas da rede pública.
– Não podemos virar as costas para a nossa realidade. Temos que enfrentá-la, alertando todos que, diretamente ou indiretamente, fazem parte do mundo escolar. A ideia é o trabalho conjunto e integrado entre todos – afirma o Major Joelmir Santos, que, ao lado da Tenente Psicóloga Renata Bueno, é responsável pela implementação da iniciativa.
O projeto idealizado pelo Coronel Rene já começa a ganhar escala. Depois das reuniões em escolas da região do 2º CPA e no Conselho de Segurança Escolar da área do 31º BPM (Barra da Tijuca), houve palestras para gestores de ensino público. Na sexta-feira passada (22.03), na Secretaria Estadual de Educação e na última segunda-feira (25.03) na Secretaria Municipal de Educação.
O envolvimento das duas secretarias vai acelerar o processo de orientação a professores, profissionais de educação em geral, alunos e responsáveis, de como evitar tragédias, denunciando às autoridades policiais qualquer suspeita, de como proceder numa invasão dos chamados “atiradores ativos”.
Além de transmitir conceitos de prevenção e segurança que devem ser adotados, os palestrantes da Polícia Militar utilizam como ferramenta pedagógica um vídeo gravado por Humberto Wendling, Agente Especial da Polícia Federal e professor de Armamento e Tiro da Academia Nacional de Polícia. Intitulado “Atirador ativo: o que fazer”, o vídeo é baseado no protocolo americano “Run, Hide, Fight” (corra, esconda-se, lute).
Humberto Wendling conta que resolveu gravar e exibir o vídeo depois de uma conversa com sua filha que acabara de chegar da escola: “Perguntei pra minha filha se o diretor do colégio havia conversado com os alunos sobre a ocorrência em Suzano. Perguntei se algum professor havia tocado no assunto. Perguntei se ela sabia o que fazer. Perguntei se os colegas dela sabiam o que fazer. Ela disse “NÃO, SÓ OS ALUNOS FALARAM SOBRE O QUE OCORREU.”
“Perguntei se havia uma saída alternativa. Se era possível sair pela janela. Se era possível trancar a porta. Ela disse “NÃO”. Então mostrei as imagens pra ela e perguntei mais uma vez: “o que você faria? Ela disse: “NÃO SEI!”. Então, fiz o vídeo…”
