A Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro lançou na manhã desta quarta-feira (19/6) a segunda etapa do programa Patrulha Rural – Protetores do Campo para atuar nos municípios de Campos dos Goytacazes, São Fidélis e São João da Barra, no Norte Fluminense. Concebido para enfrentar o alto índice de crimes de roubos e furtos em áreas rurais mais remotas, o projeto foi lançado em junho de 2022 em São Francisco de Itabapoana, também no Norte Fluminense.

O objetivo do programa é reforçar a segurança no meio rural, através de uma rede de proteção integrando os batalhões que atendem as áreas do interior do estado do Rio de Janeiro, grandes e pequenos proprietários rurais e a população local.

Capacitados por especialistas da Coordenadoria de Assuntos Estratégicos (CAEs) da SEPM, as equipes do Patrulha Rural atuam de forma preventiva em ações de monitoramento, por meio de uma rede de comunicação eficiente e permanente para garantir a agilidade no atendimento às ocorrências. Dessa forma, também se torna possível o planejamento estratégico das ações que se tornarem necessárias na prevenção a esta modalidade de ação criminosa.

– É importante destacar que a população rural é um grupo vulnerável da sociedade e, por encontrar-se demasiadamente distante dos centros urbanos, carece de alguns serviços públicos, dentre eles, a segurança pública. A demanda do patrulhamento nas áreas rurais se encontra atualmente distinta do escopo abrangido pelo Sistema de Metas e o patrulhamento convencional não se mostra eficaz para coibir esses delitos – disse o Tenente-Coronel Cruz, Comandante do 8ºBPM (Campos dos Goytacazes).

Os policiais destinados ao programa passaram por uma formação específica para essa modalidade de policiamento, compreendendo aulas de tiro policial, atendimento pré-hospitalar tático, polícia de proximidade, abordagem policial, uso de tecnologia de menor potencial ofensivo, legislação de transporte de animais, conceitos e legislação rural, dentre outras.

O proprietário que aderir ao Programa será visitado e sua propriedade será cadastrada e georreferenciada no banco de dados do Programa. Desta forma, este proprietário passará a integrar a rede de proteção “Protetores do Campo” e periodicamente receberá informações de segurança sobre a sua área e a visita rotineira da Patrulha.
A propriedade cadastrada ganha um número próprio para sua identificação no banco de dados, uma placa afixada na porteira com a indicação de que é monitorada pelo programa e o proprietário pode comunicar-se com os policiais durante 24h, todos os dias, por meio de um telefone funcional com whatsApp.

 

PROJETO PILOTO EM SÃO FRANCISCO DE ITABAPOANA COMPROVA EFICIÊNCIA DO PROGRAMA

Antes da implantação do programa Patrulha Rural – Protetores do Campo, o município de São Francisco de Itabapoana respondia por 7% de todos os furtos em propriedades rurais do ocorridos no território estadual. Essa constatação, extraída de um estudo produzido pela Corporação, foi determinante para lançar o projeto piloto do programa em junho do ano passado no pequeno município de pouco mais de 42 mil habitantes, localizado no litoral do extremo norte fluminense.

O diagnóstico estava correto. O índice de furtos em propriedades rurais de São Francisco de Itabapoana registrou uma redução de 73% entre julho de 2022 e março de 2023, em comparação com igual período anterior, ou seja, de julho de 2021 a março de 2022. Com esse declínio expressivo de casos, as ocorrências de furtos em propriedades rurais do município caíram de 7% para 3% em todo o estado.
Com base na mesma avaliação, a nova fase do Patrulha Rural – Protetores do Campo foi estendida para outros três municípios do Norte Fluminense – Campos dos Goytacazes, São Fidélis e São João da Barra, que também registram alta incidência de furtos em propriedades rurais.
Tendo como base dados estatísticos de 2021, o estudo elaborado por três policiais militares do Rio de Janeiro constatou que, além de São Francisco de Itabapoana, o programa de policiamento de proximidade com produtores rurais deveria se estender para outros municípios do Norte Fluminense sob responsabilidade do 8º BPM (Campos dos Goytacazes)ou AISP 8 (Área Integrada de Segurança Pública). De acordo com o estudo, a AISP8 registrou a maior incidência desses furtos em todo o estado: 19,4%.
Ao analisar os registros desse furtos em propriedades rurais por cada um dos sete CPAs (Comando de Policiamento de Área) do estado, os autores do estudo chegaram ao seguinte resultado: 6º CPA (Norte e Noroeste Fluminense) respondeu por 53,44% das ocorrências; 5º CPA (Costa Verde e Sul Fluminense), 17,61%; 7º CPA (Região Serrana), 13,56%; 4º CPA (Leste Fluminense) 9,92%; 3º CPA (Baixada Fluminense), 5,06%; e 2º CPA (Zona Oeste da capital) 0,40%.
Intitulado “Considerações acerca do patrulhamento rural: a necessidade de implantação de um policiamento específico no Estado do Rio de Janeiro, a partir do projeto piloto do Programa Patrulha Rural – Protetores do Campo no município de São Francisco do Itabapoana”, o estudo é de autoria de três policiais militares do Rio de Janeiro: Major Tibério Carlos da Silva, na época subcomandantes do 8º BPM, Capitão Wanderson Thomaz Soares (chefe da Seção de Planejamento do 8º BPM) e o 1º SGT Leandro Batista Vicente (Analista Criminal do 8º BPM).