Baseado em estudo técnico desenvolvido pela área de inteligência, a Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro publicou, em boletim da Corporação, a determinação para que as equipes em patrulhamento intensifiquem as abordagens a motocicletas em todo o território estadual. Tendo como base dados da capital do estado, o estudo revelou que há uma grande incidência de roubos praticados por criminosos que utilizam motocicletas como veículos e capacetes para dificultar que sejam identificados.
– É fundamental deixar claro que não estamos criminalizando motociclistas e o uso de motocicletas. São veículos muito importantes para mobilidade urbana, assim como ferramentas de trabalho para uma significativa parcela da população. Mas a segurança pública e o bem-estar da sociedade estão acima de qualquer ponderação – explica o secretário da SEPM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira.
Os números confirmam a preocupação do coronel Menezes. Entre 25 de abril e 25 de julho deste ano, portanto durante 90 dias, foram praticados na capital 6.288 roubos de rua, de veículos e de carga, com emprego de motocicletas. Esse número representa em média 40% das ocorrências de roubo registradas nas delegacias. A cada hora, são praticados três roubos com uso de motocicletas.
Nos 90 dias do levantamento, os especialistas da Corporação constataram, por exemplo, que na jurisdição do 2º CPA (Comando de Policiamento de Área, que abrange a Zona Oeste e parte da Zona Norte carioca, 58% dos roubos de carga foram praticados por criminosos em motocicletas e utilizando capacetes.
As abordagens seguirão as diretrizes do POP (Programa Operacional Padrão), que prevê uma série de procedimentos para, entre outras razões, seguir os preceitos da Constituição e não pôr em risco a segurança do abordado e dos policiais. Os motociclistas e acompanhantes deverão se identificar, retirar o capacete e apresentar a documentação do veículo.
– Nas ocorrências de roubos praticados por criminosos em motos, passamos a estudar e a perceber a dinâmica dessas ações. Constatamos que os criminosos, na maioria das vezes, não retiram o capacete, mesmo depois de desembarcados – observa o secretário da SEPM.
O coronel Menezes lembra que o capacete é um equipamento de proteção individual e que, portanto, devem ser utilizados tão somente quando o condutor e garupa estão na motocicleta.
– Quando os ocupantes estão desembarcados, o uso do capacete não se justifica. O capacete muitas vezes é utilizado para impedir a identifica, inclusive através da ferramenta tecnológica do software de reconhecimento facial acoplado a câmeras de monitoramento urbano – conclui.
