EM CASO DE EMERGÊNCIA LIGUE 190

Ajudância-Geral - AjG

Chefe: Ten Cel PM Célio de Souza Campos
Telefone: (21) 2333-2611 | E-mail: [email protected]

A Ajudância-Geral (AjG) é uma unidade administrativa subordinada à Subsecretaria de Gestão Administrativa / Subchefia do Estado-Maior Geral Administrativo (SsGA/EMG Adm).

Pelo Decreto Estadual nº 1.175/1968, foi criada a Tesouraria-Geral dos Órgãos do Quartel-General (TGO), na extinta Polícia Militar do Estado da Guanabara (PMEG). Mais tarde, por força do Decreto Estadual nº 2.891/1969, a unidade foi transformada na Administração do Quartel-General (AQG).

Dando execução ao Decreto-Lei nº 92/1975, que dispõe sobre a Organização Básica da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, o governador fluminense, através do Decreto-Lei nº 1.095/1977, criou a Ajudância-Geral, sendo nomeado para o cargo de primeiro ajudante-geral o Coronel PM Enyr Cony dos Santos.

Atualmente, cabe a Ajudância-Geral a gestão de pagamentos de pessoal (conferência), limpeza, manutenção/obras, alimentação, material bélico, patrimônio, publicações de boletins, controle e guarda das unidades instaladas no Quartel-General da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, bem como de outros órgãos administrativos destacados.

 

O Quartel dos Barbonos

O antigo Quartel dos Barbonos, hoje Quartel-General da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, localizado onde hoje é a Rua Evaristo da Veiga, no centro do Rio de Janeiro, tem sua origem ligada ao Hospício de Jerusalém, fundado por ordem régia em 23 de outubro de 1739.

Instruía o documento:  

“Desde o quintal do capitão João Antunes até a última coluna de pedra, que está no caminho, que vai para o Desterro, façais ditos tomar por avaliação, três casas térreas que ocupam um pedaço do morro baldio, e neste sítio mandareis edificar para os padres Barbadinhos um pequeno e humilde hospício com sua capela, mas sem forma de convento, que na pobreza da fábrica corresponda à humildade e pobreza com que tanto edificaram os ditos padres.”

 

Destinado aos padres Barbadinhos — capuchinhos italianos de vida franciscana e aparência marcante pelas longas barbas —, o hospício foi construído em um terreno desapropriado do morro então baldio.

Houve uma disputa sobre os terrenos onde foi construído o Hospício dos Barbadinhos. O avô do Conselheiro Drummond, então proprietário da área, foi obrigado a cedê-la por ordem régia mediante indenização irrisória e entrou com ação contra a Fazenda Real, mas faleceu antes do desfecho. Anos depois, o pai de Drummond tentou reabrir o processo, alegando que o direito não havia prescrito, mas perdeu a causa. Embora o chanceler Tomaz Antônio sugerisse uma indenização honorífica, Drummond recusou, encerrando a questão sem reparação.

As obras do Hospício de Jerusalém de Nossa Senhora de Oliveira - o termo hospício significava albergue à época - foram concluídas em 1742. A edificação incluía uma capela, conforme os padrões de humildade impostos pela própria ordem religiosa, e foi entregue aos frades após a conclusão das obras pelo Provedor da Fazenda Real, com a presença de autoridades como o governador Gomes Freire de Andrade. A área logo se destacou na cidade, sendo conhecida como Rua dos Barbonos, termo derivado da aparência dos religiosos.

Durante décadas, os Barbadinhos (Barbonos) mantiveram ali sua presença, utilizando o espaço como albergue e centro religioso. A estrutura incluía hortas, chácara e uma pequena capela dedicada à Santana, tornando-se parte da paisagem urbana e espiritual do Rio colonial. Essa ocupação religiosa perdurou até 1808, quando a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil provocou profundas transformações no uso dos espaços públicos.

Em 1808, tiveram os frades italianos que abandonar o Hospício para cedê-lo aos monges Carmelitas depois de 23 de março de 1808, como se vê da seguinte intimação régia:

 

“O Príncipe Regente Nosso Senhor tem determinado que Religiosos do Carmo desta cidade se passem para este Hospício, da por ser necessário o Convento deles, para acomodação Família Real e que Vossa Reverendíssima com seus Religiosos se acomodem nas casas e Igreja da Glória, para o que já foram expedidas as necessárias ordens. Deus Guarde V. P. Rev.

Palácio do Rio de Janeiro, 23 de março de 1808.”

 

Desta forma, por determinação do Príncipe Regente, os frades barbadinhos foram desalojados para que o local fosse ocupado pelos religiosos carmelitas, cujo convento seria então utilizado para abrigar a corte. Os Barbadinhos foram transferidos para instalações provisórias pertencentes à Irmandade do Outeiro da Glória, enquanto os Carmelitas permaneceram no antigo hospício por apenas dois anos.

A saída dos Carmelitas do Hospício dos Barbonos, onde apenas estiveram dois anos, deveu-se a decisão de nele aquartelar a Polícia Militar; instituição criada a 13 de maio de 1809 com o nome de Guarda Real de Polícia, pelo Ministro de várias pastas, o Conde de Linhares, então o primeiro Ministro da Guerra do Brasil, vindo com D. João.

Esta decisão marcou o início de uma ocupação contínua e ininterrupta no imóvel, fato que diferencia o Quartel dos Barbonos como um dos marcos fundacionais da estrutura policial no Brasil. A ocupação do espaço pela polícia não foi apenas simbólica, mas prática: ali foram organizadas as primeiras unidades da força, aproveitando-se das instalações existentes e adaptando-as às novas finalidades.

Ao longo do século XIX, o edifício consolidou-se como sede de batalhões e companhias militares, como os granadeiros e o Corpo de Municipais Permanentes. As hortas, chácara e estruturas muradas foram mantidas e reaproveitadas para uso policial. A importância estratégica e simbólica do local cresceu, tornando-o uma referência histórica na paisagem institucional do Rio de Janeiro. Com o passar do tempo, especialmente a partir do final do século XIX, o espaço passou a representar a continuidade da presença do poder público armado na cidade, integrando-se à identidade da Polícia Militar fluminense.

Embora a denominação original “Quartel dos Barbonos” tenha caído em desuso, substituída por novas nomenclaturas urbanas, a presença da PMERJ no local manteve--se como uma herança histórica direta da Guarda Real de Polícia. O edifício e sua localização permanecem intimamente ligados à história institucional da corporação, simbolizando a transição de um espaço originalmente religioso para um bastião da ordem pública.

Dessa forma, o antigo Hospício dos Barbadinhos passou, a partir de 1809, a sediar de forma contínua e ininterrupta a força policial militar do Estado – desde a Guarda Real de Polícia até a atual PMERJ – constituindo um marco histórico da presença da instituição no coração da capital fluminense.

LOCALIZAÇÃO:

Endereço: R. Evaristo da Veiga, 78, 3º andar - Centro, Rio de Janeiro/RJ, CEP 20031-040

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